domingo, 8 de janeiro de 2012

João Gabriel

























João Gabriel Silva de Sá. Nasceu de sete meses, permaneceu num berço aquecido na maternidade Bárbara Heliodora (Rio Branco-Acre). Contraiu uma infecção hospitalar, ocasionando-lhe uma parada cárdio-respiratória: resultando numa paralisia cerebral difusa. Hoje é cadeirante, super bem humorado e repleto de informações. Gosta imensamente de espetáculos de música, teatro, dança, cinema, videogames e esportes. Ele é multicultural. Além das inúmeras atividades que preenchem e transbordam a sua agenda, ainda assim, encontra pausas oníricas para a pintura. Suas telas abstratas denotam descontração, espontaneidade com muita alegria, fazem transparecer a contagiante força pela vida. Em dezembro de 2011 completou 14 anos. Ele é meu filho!


domingo, 9 de outubro de 2011

O Fabuloso Mundo de Ivan Campos





Ivan Campos no filme de André Sampaio.

RUA NETUNO MORADA DO SOL

de André Sampaio 17 min 2005

Retrato do artista acreano Ivan Campos. O filme percorre e detalha sua pintura inspirada no encantamento da floresta.

http://novissimocinemabrasileiro.blogspot.com


















O artista Ivan Campos by Talita Oliveira.



Ivan Campos, primeiro lugar no Salão de Artes Plásticas Hélio Melo

Rose Farias para Overmundo

09/03/2006

Primeiro lugar do Salão Hélio Melo de Artes Plásticas, com a tela Alicerces da Terra, o artista plástico acreano Ivan Campos (44) desde os oito anos pilotava entre pincéis e tintas, criando os desenhos e pinturas para os bordados da mãe, sua maior incentivadora. Ivan recebeu grande influência das histórias em quadrinhos, desenvolvendo sua arte de forma autodidata, descobrindo através de técnica própria, um estilo que ele mesmo prefere não definir, mas que para os cultores das artes plásticas, passeia entre o expressionismo muito particular, quase abstrato, realismo e surrealismo. "Uns dizem que é uma pintura espiritual, nostálgica. Prefiro não definir".

As telas, em sua maioria, mergulham nas temáticas amazônicas. Muitas delas estão nas mãos de apreciadores nos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Itália, Argentina e Brasil. Duas de suas obras foram selecionadas para o Projéteis de Arte Contemporânea - Rede Nacional de Artes Visuais - Redemergências: uma das abordagens possíveis de um novo olhar sobre a produção artística atual, em exposição no mês de outubro de 2005, na FUNARTE (RJ). Projéteis contou com a participação de artistas de todos os estados e regiões do Brasil.

Admirador da obra de Rembrandt, nesta entrevista o artista fala de sua obra, analisa as artes plásticas no Acre e faz um carinhoso elogio a obra de Hélio Melo.

Como é para você ganhar o primeiro lugar no Salão Hélio Melo de Artes Plásticas?

Na verdade não esperava que esse meu trabalho ganhasse, pois é uma pintura fora da nossa realidade da floresta, uma pintura marinha, não contava com isso, trouxe essa tela para compor o espaço. Me sinto gratificado.

Qual o olhar que você traça sobre a tela Alicerces da Terra, vencedora do Salão? Como veio essa inspiração com o mar?

É a minha terceira pintura sobre o fundo do mar. As outras duas que fiz são telas grandes e estão em São Paulo. Essa tela me cobrava pelo azul, a maior parte das telas que expus no Salão são nessa tonalidade. Tava em casa de bobeira, e veio aquela idéia de fazer uma canoa na praia, mas achei melhor colocá-la dentro do mar. Levei uns dois meses trabalhando nela, o equilíbrio de cor, forma, profundidade.

Como chegam essas imagens para você?

Elas já estão dentro de mim. A mente humana é como um computador que arquiva dentro da gente as imagens, existe algo lá dentro que guarda toda essa parafernália. Uma vez estive no Rio e me pediram para pintar coisas do mar, já que sempre estive ligado mais à floresta. O mar ficou guardado em meu "arquivo". Não saiu como eles queriam, pois a canoa está no fundo do mar furada. (risos)

Você situaria sua obra em alguma escola?

Apenas procuro aprender a pintar. Sou uma pessoa que não sabe pintar ainda. Todo dia digo isso para mim, pois preciso me aprofundar cada vez mais, ser um cara completo. Na verdade estou engatinhando, apesar de pintar a muito tempo, vinte anos, não sei nada. Sobre a definição, não tenho idéia onde o meu trabalho se enquadra, se é realismo, surrealismo, abstrato. Deixo ao critério de quem está expectando. Uns dizem que é uma pintura espiritual, nostálgica.

Como é para você ser artista plástico?

Creio que na minha família não vai ter mais ninguém assim, porque os meus guris não querem saber de pintura. Geralmente acho que as pessoas enxergam o artista plástico apenas com um lado maldito. O pintor vive à margem da sociedade. O cantor ganha um CD de ouro, os atores as suas estatuetas, o jogador a sua chuteira de ouro e o artista plástico o que ele ganha? O pintor pinta porque é uma missão dele. O reconhecimento na maioria das vezes chega, quando ele já está de "osso branco". A obra dele fica, depois que foi para o além.

Que análise você faz das artes plásticas no Acre?

Na realidade as artes plásticas no Acre engatinham, não pelo lado do artista. Faltam espaços, galerias e produção para tornar as obras reconhecidas. Mas, vejo que novos espaços estão sendo criados, como o Porão da Tentamen, que abrigou o Salão. O próprio evento realizado pela AAPA (Associação dos Artistas Plásticos do Acre) em parceria com a FEM (Fundação Elias Mansour) é positivo. Os nossos artistas estão num grau bem avançado quanto a seus trabalhos. Nossa pintura em sua maior parte não é acadêmica. Eu por exemplo, venho pintando "por cima da pedra", aprendi comigo mesmo.

É verdade que você pinta a maioria de suas telas deitado?

Sim, mas também em pé e de cócoras. Deitado é porque o material que uso, dependendo do preparo da tinta, se deixar a tela em pé ela escorre. Tenho que deixar a tela no plano.

O resultado cria várias dimensões?

Fica ao critério de quem ver. Quem sou eu para dizer que é de uma forma ou outra, porque senão vou conduzir a coisa. Mas, posso dizer que combino a cor e a forma, muitas vezes a cor esconde a forma e a forma esconde a cor. É por isso que o apreciador necessita fazer o movimento de aproximar e afastar.

Algum artista inspirou a sua obra?

Tenho grande admiração pelas pinturas de Rembrandt, para mim é o maior pintor que já existiu na face da terra. Tive poucas oportunidades de ver o trabalho dele, mas sempre procurei observar que é algo que existe porque estamos vendo, e se jamais tivesse visto não daria para imaginar que existia. Me inspiro na obra dele.

Você costuma produzir quantas obras por ano?

Na base, dependendo da dimensão, três a quatro telas. Minha pintura não é comercial. Não tenho a obrigação de trabalhar todo o dia. A minha pintura é uma coisa de vontade, se não tiver, não tenho como pintar. Não é que espere o momento, às vezes estou com vontade, mas não dá. Fica um vulcão dentro de mim. Se eu não cuidar de colocar aquilo para fora, passa.

O que você diria sobre a pintura de Hélio Melo?

Uma coisa que me instiga muito em sua obra é a pessoa do Hélio Melo. Uma pessoa bem adulta que traz à tona aquele conceito de criança em seus traços. É difícil um adulto desenhar como uma criança e vice-versa. Ele passava entre essas duas coisas, não tinha um ponto de partida. A pintura do Hélio traz uma criança iluminada, e quem via o Hélio, enxergava essa mesma criança irradiando nele. Esse lado que me instiga. Um universo muito louco, só um Hélio Melo para fazer.






A arte de Ivan Campos

...A floresta de Ivan Campos é real em sua magia. Nela o homem desaparece. É a floresta original, arquetípica, de onde os seres surgem sutilmente quando são surpreendidos pelo olhar atento que decifra seu mimetismo. A imaginação, liberta, agora penetra em outro mundo. Um mundo brilhante, natural em sua transcendência e transcendente em seu naturalismo.

Nestes cem anos conquistamos a floresta, mas ela também nos conquistou. Mais que objeto, a natureza é a autora de nossa arte. Somos o espelho em que ela se mira, vaidosa. Talvez por isso Ivan tenha assinado alguns quadros com o nome ao contrário, Navi Sopmac, como se lê diante do espelho. E no jogo dos reflexos vamos vislumbrando, deduzindo, suspeitando, espreitando, descobrindo, inventando novas maneiras de olhar, de viver, de voar.

Texto de Antonio Alves, extraído de Via Látex – Asas da Imaginação. 1999.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Danilo de S'Acre - Pintura Mural


OÁSIS

A água preta do Êsepo,
lavadeira de sono...


O deserto com passo lento
constrói pirâmides...


Um leão incendiado percorre o espaço atroz...


Desenhando os astros para o teu oriente.


Bebes o segredo cítrico, purificando


A miragem que compensa nossas existências.

Mural em frente a Secretaria de Estado de Educação. Pintura realizada em 2009.
Mural e poema de Danilo de S'Acre.


sábado, 23 de julho de 2011

Genésio Fernandes








O artista Genésio Fernandes


















GENÉSIO FERNANDES

Genésio Fernandes, José (Maria da Fé, MG, 1946). Artista plástico, pinta desde 1967. Em 1970, participou do curso Pintura-Iniciação no Festival de Inverno de Ouro Preto/MG, obtendo Primeiro Prêmio. Em 1974, formou-se em Letras pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Itajubá/MG. Em Rio Branco, entre 1977/79, atuou no Departamento de Assuntos Culturais do Acre, fundou a primeira Escolinha de Arte do Estado, escreveu sobre a arte local e organizou exposições. Entre 1979/82, fez mestrado em Teoria da Literatura na Universidade Federal de Pernambuco – UFPE, Recife, escrevendo sobre Osman Lins. No período de 1983/84, atuou no Campus Avançado da Universidade Federal do Acre – UFAC, em Xapuri. Depois, quando voltou a Rio Branco, lecionou na UFAC e atuou no movimento cultural até 1990. Reside em Campo Grande desde 1991, onde lecionou no Curso de Letras e de Jornalismo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - UFMS. Atualmente, leciona ainda no Curso de Letras e na Pós-graduação da UFMS e organiza a revista Rabiscos de Primeira, destinada a publicações de trabalhos acadêmicos de alunos. Em 1996, faz doutorado na Universidade de São Paulo – USP, dedicando-se à Semiótica do texto e aos estudos das práticas de leitura da paraliteratura. Em 1998 submete-se a uma banca examinadora da USP, obtendo bolsa de um ano em Paris, onde estuda, realiza pesquisas em bibliotecas e visita museus. Em setembro de 2000, conclui o Curso de Doutorado. O artista recebeu os seguintes prêmios:

Primeiro Prêmio no Salão de Artes do Diretório Acadêmico da Escola de Engenharia de Itajubá/MG (1972); Terceiro Prêmio “Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul – FIEMS” no X Salão de Artes Plásticas de Mato Grosso do Sul - MS (1997) e Segundo Prêmio “Governo do Estado de MS” no XI Salão de Artes Plásticas de MS (1998).

Participou de diversas coletivas, destacando-se: Pintores Acreanos em Brasília (1978); XII Salão de Artes Plásticas da UFPE, Recife (1981); exposição Mestres e Contemporâneos, Galeria Rodrigues, Recife (1980); Galeria 3 Galeras, Olinda/PE e Galeria Sol, São José dos Campos/SP (1984); Galeria de Arte da UFAC, Rio Branco (1986); XII Salão de Artes Plásticas de MS, Campo Grande (2001).

Expôs individualmente na Galeria do Hotel Chuí, Rio Branco (1977); no Centro de Artes e Comunicação da UFPE; na Galeria Rodrigues, Recife (1980); na Universidade da Flórida/EUA, em Miami, em Gainesville e em Telahasse (todas em 1987); na Galeria de Arte da UFAC, Rio Branco (1991 e 1994); na Galeria do Banco do Brasil (1993); no Museu de Arte Contemporânea – MARCO (1995); na Morada dos Baís (1996) no Centro Cultural José Octávio Guizzo (2001); na Galeria do SESC/Horto de Campo Grande (2002); no Museu de Arte Contemporânea-MARCO com um “Panorama retrospectivo” (2003) e com “Desenhos – série erótica” (2004), entre outras.

Em 2003 e 2004, o Museu de Arte Contemporânea-MS incorporou ao seu acervo mais de 120 obras, realizadas em diferentes épocas, doadas pelo artista, que possui também obras em diversas coleções particulares. Em 2005, compra um matão cheio de pedra, grutas, conversa de pássaros e almas de outro mundo - começa a criar cabrito: para leite, pintura, carne e narrativas.