sábado, 30 de janeiro de 2021
domingo, 1 de novembro de 2020
sábado, 5 de setembro de 2020
Queimada - Danilo de S'Acre
Tudo finjo inflijo
Deste destino instante
Poeira pó fuligem soluço
Além das almas retirantes
Tira e põe poema estalado
Credo de quem desdenha
Outras gaiolas asas assadas
Através do olho malogrado
Cego chego a vagarosamente
Divagar sobre tudo extinto
O pranto extingue o abrasador
Mas fazer feitiço e prece
Nada sobra nada... Nada.
terça-feira, 1 de setembro de 2020
Memória.
Teve um tempo
quando eu era criança
Vinha da colônia pra cidade
O Mercado Velho era um labirinto
ao redor uma profusão de gente
Feito formigas tontas fascinantes
Eu me perdia com meu pai
entre vielas mazelas e cores
Todo encanto guardado
Fervilhão espanto magia
Ainda gotas de lembranças
Embaçados vozes sustos vultos
Fantasmas exalam fragrâncias
O tempo passa rápido
Meu pai e minha mãe
Agora foram embora
Onde estarão agora?
Talvez estejam a passeio
Daqui a pouco vou encontrar
sendo eu ainda criança
passear também irei
no vai e vem do camelódromo
Genérico osso de carne e plástico
Bactérias e lapso made in china
unificado pelo Mercado Velho
Paira através da memória
As horas distraídas do coração
costuram as cinzas dispersas.
Danilo de S'Acre
terça-feira, 9 de junho de 2020
Prece Poema
Prece argêntea saqueada
Jorra da terra um suave suspiro
Um cheiro de flor esmagada
Algo existe guardado no abraço
Pêsames orgasmos híbridos
renasce o instante ébrio
Turva saliva confusa carnívora
Onde os olhos explodem
Vitral caleidoscópio o ópio
Orifício um vício ofídico
Em silêncio recua a ebriez
Sensorial ao vômito sagrado
De joelhos sem pressa
o milagre esvanesce
Vácuo rogado às pressas
Nasce agora à luz d'aurora.
Foto poema: Danilo de S'Acre
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Um poeta...
Trago nos bolsos furados
Poemas amassados
rasurados e decrépitos
A pele ressecada da ânsia
arcaica incisa a ferro e fogo
Transmuta a pele pútrida
adormecida na areia
do tempo fátuo pergaminho
Último salto no fracasso sucinto
Dias melhores à guisa
crescente dentro d'alma rasa.
quarta-feira, 25 de março de 2020
terça-feira, 24 de dezembro de 2019
Ela e a lua (debruçada na janela)
E a fruta e a lua
Coisa mais ainda
Ela debruçada líquida
na paisagem
Na janela
Poema e foto: Danilo de S'Acre
INSTANTES... Danilo de S'Acre
Instante transparente
tempestade de luz...
Pássaros improvisados
em música e asas
Instantâneas florestas
em nós nascentes...
O bem que te quero
imensidão se perde em sonhos...
(Suavidade seda fruta)
Como nunca inexistente
o talvez submisso
no oceano lilás...
pérolas d'água
olhos de águia e morte.
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